Técnicas Utilizadas em Noturnos
Cássio Vasconcellos utiliza poucos recursos na obra noturnos, pois uma de suas intenções era retratar uma São Paulo pura sem recorrer à tecnologia, mas ao mesmo tempo com uma visão diferente daqueles que passam pela cidade na correria e não prestam atenção na paisagem urbana paulista, sendo assim utiliza de poucas e simples técnicas como filtros de gelatina, que atuam de forma a permitir e bloquear a passagem de certas cores ao filme, de acordo com o desejo do fotógrafo.
“Os percursos noturnos pela cidade foram iniciados em 1988, mas intensificados entre 1998 e 2002. O trabalho foi realizado com uma câmera Polaroid SX-70, automática. Não se utilizou, propositalmente, qualquer recurso técnico. As tomadas foram feitas às vezes com lanterna ou holofote, com filtro colorido. Os originais foram então scanneados e impressos em jato de tinta, em tamanho 30 cm x 30 cm” (Noturnos, pag. 24)
Em uma das fotos na Praça da Bandeira, a 47, Vasconcellos usa da própria luz urbana, dos postes e das poucas janelas iluminadas de prédios ao fundo, o primeiro plano está mais escuro, por isso, como foi dito, há a impressão de ser uma avenida se desconsiderarmos a parte abaixo da ponte. A foto é toda praticamente em tons escuros de azul, acima da ponte, e mais claros abaixo dela devido à iluminação, contudo, próximo ao centro da imagem há um pedaço de um outdoor com um tom de vermelho que se destaca em meio a todo esse azul.
“Como uma marca registrada, procuro a singularidade, o limite entre o real e o imaginário. Nessas fotos, particularmente, busquei formas de retratar uma visão pessoal e distinta. Tentei resgatar o que está invisível ou o que não é tão explicito. Encontrar na fotografia a beleza escondida no comum, no caos, no feio...” (Noturnos, pag. 7)
Na foto 55, na Avenida Nove de Julho, A velocidade da abertura do obturador (tempo em que a câmera mantém o diafragma aberto para a luz da cena penetrar através da lente e produzir a fotografia) é de certa forma alta, para as luzes dos faróis dos carros formarem traços de luz, provavelmente o fotografo deve ter usado um tripé para manter a câmera parada, devido à baixa velocidade. Há também o reflexo dos primeiros raios solares do dia nos vidros de um edifício ao fundo da imagem.
“Era a cidade em pura transformação. Primeiro, o movimento dos que iam para suas casas, enquanto pessoas da noite apareciam e circulavam, dando até mesmo um ar mais sombrio à cena. Depois, momentos de completo vazio até o amanhecer, quando a vida voltava ao seu ritmo normal.” (Noturnos, pag. 8)
A foto 165, no Brooklin, é um bom exemplo de como a câmera Polaroid, usada a noite, cria uma saturação diferente nas cores dos elementos, os vidros do prédio em especial ganham uma cor diferente do original, e os galhos da arvore em primeiro plano ganham um vermelho contrastante com o restante da imagem.
“Um olhar, um clique, um som mecânico, e segundos depois a imagem surgia em minhas mãos, sem manipulações ou interferências.” (Noturnos, pag. 6)
Em uma das últimas fotos do livro, no Viaduto Santa Ifigênia, 191, Cássio aproveitou da iluminação local ao Maximo para harmonizar a foto, porém o principal dessa foto em particular é o enquadramento e o ângulo utilizado, pois utiliza os elementos de forma a capturar diversos planos, se tornando praticamente impossível dessa foto, assim como quase todas da obra, ser tiradas novamente com exatidão, é outro exemplo do uso da Polaroid, que não admite muitas interferências nas fotos, pois a intenção do fotografo era de retratar de uma forma pura a cidade, como apenas um paulistano a vê.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
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